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Segurança Pública

Crime organizado em aluguel por temporada entra na mira de autoridades

Plataformas de locação temporária são usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado, apontam investigações.

Agência Brasil· Nacional· 22 de junho de 2026
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Thiago · BlueNews

Curador editorial · BlueUniverse

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Crime organizado em aluguel por temporada entra na mira de autoridades

Crédito: Agência Brasil

Crime organizado usa aluguel por temporada para lavar dinheiro, aponta investigação

Autoridades públicas monitoram se organizações criminosas estão usando o aluguel de imóveis por temporada para ocultar o patrimônio adquirido com práticas ilícitas, como o tráfico de drogas e armas, e, assim, obter uma nova fonte de renda aparentemente legítima. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a maquiagem financeira utilizando a locação temporária por aplicativos desafia os órgãos de fiscalização, operando em um “ponto cego” que permite aos criminosos lavar o dinheiro obtido ilicitamente.

No Rio Grande do Sul, policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investigavam a ação de um grupo suspeito de envolvimento em homicídios, tráfico e extorsão quando identificaram que os suspeitos tinham comprado imóveis no litoral norte do estado e estavam utilizando-os para faturar com o aluguel de curta temporada. Para aprofundar a apuração, a Polícia Civil deflagrou, em maio de 2025, a chamada Operação Litus, que resultou na denúncia de 16 pessoas. O delegado Gustavo Bermudes, da Draco de Canoas (RS), explicou que parte dos imóveis que o grupo adquiriu com o dinheiro obtido com atividades criminosas estava registrada em nome da companheira do líder do suposto esquema, parte em nome de “laranjas”.

Em nota, o Ministério da Justiça reconheceu que, em determinadas circunstâncias, o aluguel de temporada pode integrar estratégias de ocultação ou dissimulação de recursos ilícitos. A Receita Federal também incluiu o tema entre suas prioridades para este ano, elaborando orientações específicas inseridas no programa do Imposto de Renda (IRPF 2026). As plataformas Airbnb e Booking informaram que colaboram com as autoridades, mas destacaram que determinar, de forma independente, se um imóvel ou indivíduo está envolvido em práticas ilícitas excede suas atribuições legais.

Análise Técnica

A utilização de plataformas digitais de aluguel por temporada como ferramenta para lavagem de dinheiro representa um desafio significativo para as autoridades brasileiras. O caso investigado no Rio Grande do Sul, onde imóveis adquiridos com recursos ilícitos eram anunciados em nome de "laranjas" e familiares sem antecedentes criminais, expõe a dificuldade de rastrear o patrimônio oculto. A falta de acesso direto das forças policiais aos dados das plataformas, como destacou o delegado Gustavo Bermudes, cria um "ponto cego" que exige maior cooperação entre o setor privado e o poder público. A inclusão do tema no relatório de fiscalização da Receita Federal para 2025-2026 sinaliza um movimento de endurecimento no controle tributário sobre essas transações, visando coibir a evasão e a dissimulação de renda. Por fim, a resposta das plataformas, que se limitam a colaborar mediante solicitação oficial, evidencia a necessidade de marcos regulatórios mais claros para prevenir e identificar atividades ilícitas nesse mercado em expansão.

Fonte original:Agência Brasil

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