Crime organizado usa aluguel por temporada para lavar dinheiro, aponta investigação
Autoridades públicas monitoram se organizações criminosas estão usando o aluguel de imóveis por temporada para ocultar o patrimônio adquirido com práticas ilícitas, como o tráfico de drogas e armas, e, assim, obter uma nova fonte de renda aparentemente legítima. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a maquiagem financeira utilizando a locação temporária por aplicativos desafia os órgãos de fiscalização, operando em um “ponto cego” que permite aos criminosos lavar o dinheiro obtido ilicitamente.
No Rio Grande do Sul, policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investigavam a ação de um grupo suspeito de envolvimento em homicídios, tráfico e extorsão quando identificaram que os suspeitos tinham comprado imóveis no litoral norte do estado e estavam utilizando-os para faturar com o aluguel de curta temporada. Para aprofundar a apuração, a Polícia Civil deflagrou, em maio de 2025, a chamada Operação Litus, que resultou na denúncia de 16 pessoas. O delegado Gustavo Bermudes, da Draco de Canoas (RS), explicou que parte dos imóveis que o grupo adquiriu com o dinheiro obtido com atividades criminosas estava registrada em nome da companheira do líder do suposto esquema, parte em nome de “laranjas”.
Em nota, o Ministério da Justiça reconheceu que, em determinadas circunstâncias, o aluguel de temporada pode integrar estratégias de ocultação ou dissimulação de recursos ilícitos. A Receita Federal também incluiu o tema entre suas prioridades para este ano, elaborando orientações específicas inseridas no programa do Imposto de Renda (IRPF 2026). As plataformas Airbnb e Booking informaram que colaboram com as autoridades, mas destacaram que determinar, de forma independente, se um imóvel ou indivíduo está envolvido em práticas ilícitas excede suas atribuições legais.


