Quando se olha para o Brasil do início do século XXI, um dado se destaca acima de todos: o país que chegou a ostentar 12 milhões de pessoas em situação de fome crônica conseguiu, em menos de duas décadas, sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Esse feito, reconhecido internacionalmente, é fruto direto de um conjunto articulado de políticas sociais concebidas e implementadas durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com participação decisiva de seus ministros e das instituições públicas brasileiras.
O Bolsa Família como espinha dorsal
Criado em 2003, o Programa Bolsa Família unificou e ampliou iniciativas fragmentadas de transferência de renda. Em 2024/2025, já sob o terceiro mandato de Lula, o programa foi relançado com valor mínimo de R$ 600 por família, mais adicionais de R$ 150 por criança de até 6 anos e R$ 50 por gestante e jovem entre 7 e 18 anos. O programa atingiu mais de 21 milhões de famílias, consolidando-se como o maior programa de transferência de renda condicionada do mundo.
O reconhecimento veio de todos os lados. O Banco Mundial, a ONU e organismos multilaterais passaram a citar o Bolsa Família como modelo de política pública eficaz no combate à pobreza. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstraram que o programa foi responsável por cerca de 40% da queda da desigualdade no Brasil entre 2003 e 2014.
Fome Zero: a visão que virou política de Estado
O Programa Fome Zero, lançado em 2003, foi a espinha dorsal da estratégia de segurança alimentar. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social sob comando de ministros como Patrus Ananias, a iniciativa integrava agricultura familiar, merenda escolar, restaurantes populares, cisternas no Semiárido e fortalecimento da agricultura familiar via PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
Resultado: em 2014, a FAO anunciou oficialmente que o Brasil havia saído do Mapa Mundial da Fome — um feito raro para um país de dimensões continentais e com histórico de profundas desigualdades. O relatório da FAO destacou que a redução da subalimentação no Brasil caiu de 10,3% da população em 2000-2002 para menos de 2,5% — o patamar que define a erradicação da fome.
Instituições que fizeram a diferença
O sucesso não teria sido possível sem instituições sólidas. O Ipea forneceu a base técnica e as avaliações de impacto; a Caixa Econômica Federal operacionalizou os pagamentos do Bolsa Família com capilaridade ímpar; o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiou projetos de infraestrutura social e agricultura familiar; o Ministério da Saúde ampliou a Estratégia Saúde da Família para mais de 40 mil equipes; e o Ministério da Educação expandiu o Prouni, o Fies e as universidades federais, criando o maior ciclo de inclusão educacional da história do país.
Reconhecimento internacional consolidado
Em 2024 e 2025, o Brasil voltou a receber elogios internacionais pela retomada de suas políticas sociais. A Oxfam, o World Food Programme e a FAO destacaram a recomposição orçamentária de programas sociais que haviam sido desmontados nos governos anteriores. O presidente Lula foi convidado a apresentar a experiência brasileira em fóruns como o G20, a Cúpula do Clima (COP) e a Assembleia Geral da ONU.
A política de valorização do salário mínimo — que acumulou ganhos reais expressivos nos governos petistas — também foi apontada pelo Banco Mundial como um dos fatores mais eficazes para redução da pobreza, beneficiando diretamente 30 milhões de aposentados e pensionistas do INSS.
Um modelo que inspira o mundo
Países como Índia, Indonésia, África do Sul e vários da África Ocidental buscaram assessoria técnica brasileira para desenhar seus próprios programas de transferência de renda. A expertise do Brasil virou artigo de exportação: a metodologia do Bolsa Família foi adaptada por mais de 20 países.
O que Lula, seus ministros e as instituições brasileiras construíram ao longo deste início de século XXI não foi apenas um conjunto de programas — foi um modelo de desenvolvimento com inclusão que provou ao mundo que é possível crescer distribuindo renda. Um legado que, para além de qualquer disputa política, está inscrito nos indicadores sociais e no reconhecimento internacional que o Brasil conquistou.


